sábado, 6 de agosto de 2011

Descobri

E aí que hoje, infelizmente, eu descobri que descobrir nem sempre me faz sorrir. Eu não dormi, eu não comi, não digeri. Eu descobri, também, que quero me descobrir. Pensei em partir. Eu descobri que descobrir é aleatório, mas quase nunca simplório, nem sempre satisfatório. Eu descobri minha covardia no silêncio e a minha rebeldia na nostalgia. Eu descobri que eu não morri, mas que nem sei se estou aqui. É, a gente não escolhe. Às vezes fica mole, às vezes se encolhe.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Do avesso

Hoje eu acordei às sete, o que não fazia há tempos. Eu escovei os dentes antes de tomar banho, troquei os quadros de lugar, me enxuguei mais rápido do que podia imaginar. Eu comi antes de trabalhar e não fumei antes de me arrumar.

No trabalho, dei bom dia a todos, com beijos, e a todos também sorri. No almoço, tomei suco. E, no lanche, uma fruta. Fui a um bar que nunca tinha ido antes, bebi whisky ao invés de cerveja. Eu vi um filme, ao invés de novela. Eu li um livro, ao invés de um filme. Eu não liguei a televisão.

Eu escrevi uma música sem rascunhar, não buzinei para me acalmar e mais nada imaginei, sequer pensei. Eu dormi com o edredom por baixo do lençol, de barriga pra cima ao contrário de antes, e com a janela aberta. Eu cantei sozinho na rua, pensei em comprar uma flauta doce e em comer morango antes do almoço. Tudo muito confuso. Do avesso. Hoje eu vivi só hoje e deixei o resto para amanhã. Pela manhã.

De sobremesa, a natureza e o início de uma estranha leveza. 

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Nas profundezas de um mar sem fim

E aí que nas profundezas daquele mar sem fim, ao contrário do que eu imaginava, havia muita luz, alegria e um bocado de poesia. Depois da ponte, lá no fim do túnel, existiam flores e até um botequim. As bebidas eram coloridas. Nas paredes, muitas coincidências. Nas pessoas, estranhas lembranças. Tudo estava tão diferente de como era antes, diversas mudanças.

E o caminho até lá, incrivelmente, foi permeado, torneado e contornado por diversas descobertas. Descobri, por exemplo, que inventar alimenta a alma e que encantar-se é natural ao ser. Alivia e dá calma. Descobri que tenho domínio sobre parte de mim. E que, se até naquele singelo botequim alguém sorriu pra mim, devo estar bem longe do fim.

Porque se até para morrer, você tem que existir. Não adianta esperar, é correr sem medir. A minha vida é assim: chegar e partir.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Segredo

O segredo das horas é não contar.
O segredo do tempo é não parar.
O segredo da infância é se divertir.
O da juventude, sorrir.
E o segredo da maturidade é saber partir.

O segredo do padre é paquerar.
O segredo da moça é hipnotizar.
O segredo do fraque é não lavar.
O do novo é se estranhar.
E o segredo do só, a si tentar.

O segredo do cheiro é provar.
O segredo dos cegos é não mirar.
O segredo do tato é degustar.
O da visão é escutar.
E o segredo do surdo é não se preocupar.

O segredo da massa é misturar.
O segredo do vinho é roxear.
O segredo do doce é dessalar.
O da caipirinha, embriagar.
E o segredo do chef é não parar de inventar.
 
O segredo da lua é aos poucos se revelar.
O segredo das estrelas é insistentemente brilhar.
O segredo do sol é aquecer.
O da meia-noite, anoitecer.
E o segredo do dia, amanhecer.

O segredo do mato é silenciar.
O segredo da serra é contornar.
O segredo das nuvens é não deixar tocar.
O da cachoeira, ocultar.
E o segredo do mar, energizar.

O segredo do Senna é ultrapassar.
O segredo do Chico é cantar.
O segredo do Dizzy é trumpetear.
O do Garrincha é entortar.
E o segredo da Amy, se entregar.

O segredo da Marilyn é deixar a saia voar.
O segredo do Oiticica é penetrar.
O segredo do Cildo é desviar.
O do Mandela, libertar.
E o segredo do sábio, eternizar.

O segredo da mente é borbulhar.
O segredo da arte, emocionar.
O segredo do músico, serestar.
O do poeta, rascunhar.
E o segredo da dança é se deixar levar.

O segredo dos pés é descalçar.
O segredo do beijo é encaixar.
O segredo do sexo é se despir.
O do coração é não mentir.
E o segredo da vida é morrer de rir.

Seria um exagero dizer que é uma volta à normalidade.
Pois o segredo da calma é relaxar.
E o desejo da alma é acalmar.

Porque o segredo do Homem é amar.
Mas o meu segredo, é me apaixonar.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

20 coisas que eu odeio (em você)


  1. Não saber mentir
  2. Buscar respostas para tudo
  3. Insistir em acreditar em tudo e em todos
  4. Conviver pouco com a família
  5. Não frequentar todas as exposições e os espetáculos que gostaria
  6. Trabalhar demais e estudar de menos
  7. Achar que escreve bem
  8. Adorar cozinhar, mas odiar lavar
  9. Ter dificuldade em encerrar ciclos
  10. Achar quase impossível começar novos
  11. Se aborrecer ao ter que sair nos domingos
  12. Encantar-se com coisas idiotas e inexpressivas
  13. Não apegar-se às coisas realmente importantes
  14. Buscar uma autossuficiência inalcançável
  15. Tentar pegar o impalpável
  16. Achar que tudo é para sempre
  17. Não conhecer a Serra do Cipó, a Lapinha e Tabuleiro
  18. Assumir que é fã do Rocky Balboa, do Axl Fowley e do John McLane
  19. Insistir em inventar desculpas para não parar de fumar
  20. Ter que encarar o fato de que você, na verdade, sou eu