Eu queria ter vontade de ficar com você. Eu até tenho. Mas, não é todo dia. Alguns dias, bem, eu quero muito. Em outros, mal, não quero tanto. Tenho me alternado assim, nos meus dias, em querer e não querer. Bem querer. Por querer. E por querer, porque, que fico assim, fixamente instalado na minha instabilidade. O meu equilíbrio, de momento, é ser exatamente assim. Mesmo sem saber muito bem por quê.
My life, my stuff, my anxieties, my insomnia, my ideas, my desires. Shots of me and from my nonstop mind.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
sábado, 1 de outubro de 2011
Porque eu gosto de você
Eu gosto de você não é porque você é bonita, cheirosa e gostosa. É porque eu gosto de ficar com você. Eu gosto da sua companhia. E ponto. Eu gosto de você não é porque dorme comigo todas as noites, é porque fica acordada. Eu gosto de você não é quando você está pequena e precisa de mim, mas quando está grande e me quer mesmo assim.
Eu gosto de você porque você me dá saudades. Eu gosto de você porque você me dá tesão. Eu gosto de você porque a gente, junto, é uma erupção. E com ponto de exclamação. Eu gosto de você não só pelas chegadas ou por todas as partidas, mal feitas ou mal vistas, mas pelas idas e vindas, aceitas, azedas, mal resolvidas. E até pelo contrário. Eu gosto de você não só pelas coincidências ou pelas eficiências, mas por todas as nossas incoerências, as nossas diferenças.
Eu gosto de você pelo desequilíbrio. Eu gosto de você porque você me desequilibra. Eu gosto de você porque me faz sofrer, me faz sorrir. Eu gosto de você porque você me faz crescer, ouvir. Ou vir. Eu gosto de você porque você me faz assim, e eu a você. Eu gosto de você porque a gente se entende. Porque a gente se desentende. Porque a gente entende. Eu gosto de você não só porque dividimos a mesma escova de dente, mas porque quando necessário, a gente se mente. A gente até mente. Eu gosto de você porque você me cobre, e eu te cubro, e a gente se enrola. Eu gosto de você não só pela beleza, e olha que és bela, mas por também me tratar com singeleza. E haja destreza. Eu gosto de você porque eu gosto de estar com você. Eu gosto de você porque eu gosto de ficar nu com você. Eu gosto de transar com você. Eu gosto de você e, mesmo gostando, escolhi gostar de você. Eu gosto de você porque eu te escolhi e você a mim.
Eu gosto de você não é porque me cura quando eu volto da boemia. A gente, meu bem, é que se cura. Eu gosto de você não é só pelo nosso sexo, intenso, mas pelo que a gente faz depois. Eu gosto de você não pelos filmes, ou pelas drogas, ou pelas festas. Eu gosto de você não pelas sinas, ou pelas trocas, ou pelas frestas. Eu gosto de você porque, mesmo às vezes não querendo, eu gosto. E é de graça. Eu gosto de você porque sai caro, senão não teria graça. Eu gosto de você porque você sorri. Eu gosto de você porque você corre, para, olha e volta a correr. Eu gosto de você assim.
Eu gosto de você não pelos amigos, pois amigos todo mundo têm. Eu gosto de você por causa dos nossos amigos. E eles gostam da gente por causa da gente. Eu gosto de você por que a gente ri. Junto. Eu gosto de você porque a gente chora. Junto e separado. Eu gosto de você porque a gente não escolhe. A gente se escolhe. A gente encolhe. Eu gosto de você porque a gente é metade. Eu gosto de você porque eu gosto desse seu jeito, assim, rebelde sem causa.
Eu gosto de você não é pelo que a gente tem, mas pelo que a gente é. Eu gosto de você não só quando eu gozo. Muito. Eu gosto quando a gente. Eu gosto de você porque eu te faço, refaço, e você a mim, e a gente à gente. Eu gosto de você não só por você gostar de mim, e eu de você, mas por você ser você, e eu ser eu, e a gente ser tudo o que a gente quer, incrivelmente, ao mesmo tempo, assim, assim.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Os meus amigos
"Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco.
Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que normalidade é uma ilusão imbecil e estéril."
Oscar Wilde
Não costumo roubar textos, prefiro escrevê-los. Mas, nada mais apropriado do que este para aqueles, que não preciso nomear, mas que diariamente têm feito os meus dias mais felizes, menos tristes e intensos, mais alegres e confortáveis. Os meus amigos são pau pra toda obra, espero que os teus também sejam.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Para nunca mais chorar
Eu prometi para a minha mãe que eu não iria mais chorar. Eu consegui. Claro, o que os olhos não vêem, o coração não sente. Então, para ela, eu consegui. Eu prometi ao meu amor também. A mesma coisa. Eu consegui também. O que os olhos não vêem, o coração não sente. Desde então, eu é que não consigo. Eu não consigo parar. Eu não consigo parar de mentir.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Toca Raul!
Ia fazer uma participação especial. Preocupado, um pouco chapado, entrou no estúdio e disse para a banda que não se lembrava da letra e nem da melodia daquela música que iria tocar. A banda, preocupada, e tentando incentivá-lo, logo disse: sai dessa, vamos lá, na hora você se lembra, vai tudo dar certo. Tentaram ensaiar, não deu. Mas ficaram de tentar. Mais tarde, ao subir no palco, quase cinco mil pessoas o aguardavam, o artista então decidiu compartilhar com o público a sua angústia, que não se lembrava daquela música, coisa e tal, quando começa a ouvir do meio do público os gritos: Toca Raul! Não entendeu muito bem, ainda um pouco chapado de mais cedo, mas logo respondeu que não, que ele curtia Raul, mas que essa música não era dele. É outra! Os gritos aumentam sensivelmente, os nervos quase a flor da pele: Toca Raul! O cara, já quase puto, disse: não é Raul, porra! Se vocês ficarem nessa de tocar Raul eu vou embora. Nisso, como já não tinha mais jeito, o caldo engrossa e toda a plateia grita novamente: Toca Raul! Definitivamente emputecido, com o ódio que o tomara por completo, jogou o violão no canto, saiu do palco e a galera, em um coro ensurdecedor, retorna a gritar: Volta Raul!
Livremente copiado e adaptado dos poetas de plantão no facebook.
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