Assim, assim, o que foi já era, passou, e se um dia o tiver que ser novamente, e que assim seja, será bem diferente daquilo que já foi um dia, pois o pode, mesmo que igual, mesmo que banal, mesmo sendo o mesmo, da mesma forma, tudo igual.
My life, my stuff, my anxieties, my insomnia, my ideas, my desires. Shots of me and from my nonstop mind.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
domingo, 9 de outubro de 2011
Os meus domingos
Eu odeio os domingos, e não é de hoje. Domingo é ruim, é vago, vácuo, domingo é metade. De domingo, só me restam as manhãs. Não me servem as tardes, quentes, muito embora frias. Não me servem as noites, calmas, muito embora vazias. Não me prestam os domingos, eu detesto. Eu não quero os domingos, não me servem, não me atraem as sensações que ele traz consigo. O isolo, a saudade, o silêncio, a calmaria, não me serve nada disso, nem de noite e nem de dia.
Para alguns, o domingo é festa, feira, encontro, reencontro, é purificação e tradição. É energia pura e renovada para o amanhã. Para mim, até já foi, mas hoje é só uma fresta. É uma espera angustiante para que passe, pois demora, para que a semana comece, pois já vem, para que a labuta me consuma por completo. Se criativo fosse, esse ócio do domingo, eu até aproveitaria para tirar uma casquinha. Mas, nem isso é. As horas não passam. O meu domingo é tédio, é chato, é asco, é cru, é ansiedade, é espera, é procrastinação, é tudo isso e mais um pouco. O meu domingo é vão, o meu domingo é não.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Escrevo hoje
Hoje eu decidi que não vou escrever sobre nada. Eu vou escrever sobre tudo. Sobre tudo o que me aflige, me atormenta e me maltrata. Sobre tudo o que me move, me levanta e depois me mata. Hoje eu vou escrever sobre a dor, sobre o amor e sobre o calor dos verões de outrora. Eu vou escrever sobre o frio, sobre ser frio, sobre como acabei imergindo-me nessa onda de calafrios. Hoje eu vou escrever sobre tudo.
Sobre as encomendas, sobre as oferendas, eu vou escrever pra Oxalá. Hoje eu vou rascunhar. Hoje eu vou escrever sobre a alma, que falha, hoje eu vou escrever sobre as memórias da infância, eu vou escrever sobre a moça mais bonita da cidade. Hoje eu vou escrever sobre os meus dias, eu vou escrever sobre as noites vazias, hoje eu vou escrever uma poesia. Hoje eu vou escrever minha calma. Hoje eu vou escrever sobre a felicidade, sobre a tristeza e sobre a leveza que reluto em alcançar. Hoje eu vou escrever sobre os fracos, os frascos, eu vou escrever uma canção. Hoje eu vou escrever sobre o ódio, o ópio, a insegurança de ser um só no mundo. Hoje eu vou escrever sozinho. Solo. Hoje eu vou escrever sobre as drogas, sobre as fraldas do vizinho, hoje eu vou escrever sobre o choro da criança, sobre o porre que eu tomei no bar da esquina e sobre como ser um estranho no ninho. Hoje eu vou escrever sobre tudo isso.
Hoje eu vou escrever sobre a magia e sobre a minha inspiração, mesmo que tardia. Hoje eu vou escrever para a clarice, para o caio, vou dizer como consegui me entupir de salgadinhos na noite passada, assistindo ao filme do Woody Allen. Hoje eu vou escrever sobre o carnaval, sobre a Lapa, eu vou escrever sobre o meu inferno astral e até sobre o meu ancestral. Hoje eu vou escrever sobre o tal. Hoje eu vou escrever pra você, hoje eu vou escrever e depois renascer. Hoje eu vou escrever sobre o mundo, sobre o fundo do buraco negro à minha volta. Hoje eu vou escrever sobre o livro que eu li no mês passado, sobre o livro que eu leio agora e sobre o livro que você vai ler depois, o que estou também escrevendo agora. Hoje eu vou escrever sobre tudo e mais um pouco.
Hoje eu vou escrever sobre as flores, hoje eu vou escrever sobre arte, hoje eu vou escrever, por que escrever também faz parte. Hoje eu vou escrever sobre o cego, hoje eu vou escrever sobre o jazz. Hoje eu vou escrever minhas cartas, hoje eu vou escrever pros estranhos. Hoje eu vou escrever sobre os tristes, sobre os rifles, sobre as noites cansadas, sobre a enfermaria dessa madrugada. Hoje eu vou até o meu limite. Hoje eu vou escrever sobre tudo. E amanhã, bom, amanhã eu te conto.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Vontade de você
Eu queria ter vontade de ficar com você. Eu até tenho. Mas, não é todo dia. Alguns dias, bem, eu quero muito. Em outros, mal, não quero tanto. Tenho me alternado assim, nos meus dias, em querer e não querer. Bem querer. Por querer. E por querer, porque, que fico assim, fixamente instalado na minha instabilidade. O meu equilíbrio, de momento, é ser exatamente assim. Mesmo sem saber muito bem por quê.
sábado, 1 de outubro de 2011
Porque eu gosto de você
Eu gosto de você não é porque você é bonita, cheirosa e gostosa. É porque eu gosto de ficar com você. Eu gosto da sua companhia. E ponto. Eu gosto de você não é porque dorme comigo todas as noites, é porque fica acordada. Eu gosto de você não é quando você está pequena e precisa de mim, mas quando está grande e me quer mesmo assim.
Eu gosto de você porque você me dá saudades. Eu gosto de você porque você me dá tesão. Eu gosto de você porque a gente, junto, é uma erupção. E com ponto de exclamação. Eu gosto de você não só pelas chegadas ou por todas as partidas, mal feitas ou mal vistas, mas pelas idas e vindas, aceitas, azedas, mal resolvidas. E até pelo contrário. Eu gosto de você não só pelas coincidências ou pelas eficiências, mas por todas as nossas incoerências, as nossas diferenças.
Eu gosto de você pelo desequilíbrio. Eu gosto de você porque você me desequilibra. Eu gosto de você porque me faz sofrer, me faz sorrir. Eu gosto de você porque você me faz crescer, ouvir. Ou vir. Eu gosto de você porque você me faz assim, e eu a você. Eu gosto de você porque a gente se entende. Porque a gente se desentende. Porque a gente entende. Eu gosto de você não só porque dividimos a mesma escova de dente, mas porque quando necessário, a gente se mente. A gente até mente. Eu gosto de você porque você me cobre, e eu te cubro, e a gente se enrola. Eu gosto de você não só pela beleza, e olha que és bela, mas por também me tratar com singeleza. E haja destreza. Eu gosto de você porque eu gosto de estar com você. Eu gosto de você porque eu gosto de ficar nu com você. Eu gosto de transar com você. Eu gosto de você e, mesmo gostando, escolhi gostar de você. Eu gosto de você porque eu te escolhi e você a mim.
Eu gosto de você não é porque me cura quando eu volto da boemia. A gente, meu bem, é que se cura. Eu gosto de você não é só pelo nosso sexo, intenso, mas pelo que a gente faz depois. Eu gosto de você não pelos filmes, ou pelas drogas, ou pelas festas. Eu gosto de você não pelas sinas, ou pelas trocas, ou pelas frestas. Eu gosto de você porque, mesmo às vezes não querendo, eu gosto. E é de graça. Eu gosto de você porque sai caro, senão não teria graça. Eu gosto de você porque você sorri. Eu gosto de você porque você corre, para, olha e volta a correr. Eu gosto de você assim.
Eu gosto de você não pelos amigos, pois amigos todo mundo têm. Eu gosto de você por causa dos nossos amigos. E eles gostam da gente por causa da gente. Eu gosto de você por que a gente ri. Junto. Eu gosto de você porque a gente chora. Junto e separado. Eu gosto de você porque a gente não escolhe. A gente se escolhe. A gente encolhe. Eu gosto de você porque a gente é metade. Eu gosto de você porque eu gosto desse seu jeito, assim, rebelde sem causa.
Eu gosto de você não é pelo que a gente tem, mas pelo que a gente é. Eu gosto de você não só quando eu gozo. Muito. Eu gosto quando a gente. Eu gosto de você porque eu te faço, refaço, e você a mim, e a gente à gente. Eu gosto de você não só por você gostar de mim, e eu de você, mas por você ser você, e eu ser eu, e a gente ser tudo o que a gente quer, incrivelmente, ao mesmo tempo, assim, assim.
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