quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Aquele Oswald...










Sem mais.


Fotografias retiradas no Museu da Língua Portuguesa (18/10/2011), exposição "Oswald de Andrade".

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O dia em que os meus amigos não saíram de férias...

Hoje, eu acordei com uma tremedeira estranha, latente, com a minha carne trêmula e molestada, a barriga agitada, a cabeça espraiada, não sei direito, é difícil entender, acho que estou me sentindo um pouco mal de novo, mas não é dor de barriga, não é tonteira, tampouco ressaca, talvez seja ele de novo, aquele mal que me assombrava num breve passado, às vezes presente, e que depois parou, e que talvez agora tenha voltado. Não sei. Deve ser mais um dos feitios dessa minha nonstop mind. È, dessa oca desvairada e desguarnecida, ou não, pode ser que não, o dia das crianças está aí, próximo, algumas datas simbólicas de outrora também, não sei direito, é meio assim, esquisito e incerto, por demais angustiante, muito embora intenso.

Eu sempre achei que eu fosse mesmo um pouco estranho, inédito e exclusivo, mas também premeditado, sistemático e abusado, ou não, talvez seja só o meu ego reprimido, ou não, escancarado, sei que hoje eu estou um pouco mais estranho, estou num dia estranho, está todo mundo estranho, tudo muito estranho. E como eu ando me alternando exatamente assim, entre estranhices, esquisitices e rebeldices, vários ices, iças e aquilo, bem achando que isto seja anormal, muito embora corriqueiro, comum e banal, decidi fazer com que hoje seja um dia anormal também, e especialmente hoje, que porventura nasceu cinzento, carregado de nuvens, frio, mas que já esquentou, o sol raiou, depois caiu um pé d’água, acabou a luz, um dia tenso, e eu talvez ainda muito influenciado também pelas recentes noites de insônia, mal dormidas, mal comidas, mal lavadas, assim assado, sozinho e só. Se a montanha não vai a Maomé, ele que vá até ela, que grite, que esperneie, que se encoraje e seja forte, em demasia, e que assim seja.

Mesmo hoje sendo um dia qualquer, em tese, e mesmo que não o fosse, um dia de uma semana qualquer, assim, uma terça inútil e fútil, barulhenta, qualquer coisa parecida, patati-patatá, decidi, eu mesmo e sem remorso algum, com que fosse assim bem diferente dos outros. Decidi que esse dia onze de outubro de dois mil e onze, e talvez os próximos onzes dos outros outubros que vierem, de dois mil e doze, treze, e assim por diante, talvez, e mesmo que simbolicamente, ou que isso seja apenas mais um dos meus devaneios, mais um shot da minha nonstop mind, eu escolhi que esse dia deveria ficar marcado, eu decidi que esse vai ser, daqui pra frente, o dia dos meus mais fieis: os amigos. De todos eles. O dia em que os meus amigos não saíram de férias. Ao contrário do que porventura eu tenha feito no passado, uma lição para o meu outro, o de outrora, ou não, o de agora, ou não, pois não os deixei, ou não, pois não me deixaram, ou não, pois o quiseram, ou não, pois, mesmo de graça, e sabendo que essa graça sairia caro, estamos aí, eles estão todos aqui. Dos meus amigos dos posts, dos alguns que eu escolhi, dos outros alguns que me escolheram, de todos eles, dos que nem sabem que estão nessa roda, assim, bem restrita, por dizer, dos que simplesmente apareceram do nada, de supetão, como a brisa que vem do mar, ou como a descida abrupta da montanha-russa, inesperada, no entanto gostosa, e escolheram ficar.

Hoje é dia daqueles que, mesmo sem saberem, às vezes, me fizeram momentos singelos à luz do dia, e mesmo sem serem muito íntimos, ou sendo também, cada um, cada qual, à sua maneira. Não vou citá-los, não preciso, nem aqueles que eu escolhi, nem os que me escolheram, nem os que apareceram, nem os que ainda surgirão, nem os que não sabem, nem aqueles que por apenas um dia foram, assim, demasiadamente únicos, sinceros e presentes, e nem mesmo os que a vida me cuspiu, assim também, de repente, pois todos sabem muito bem quem são, o que são e a que vieram. Eu gosto de vocês, mesmo que não saibam, e quase nunca em vão.

Mesmo que não sejam muitos, e talvez não encham as duas mãos que eu tenho, quem sabe um pedacinho do pé esquerdo, é, eu tento contar, e vejo apenas poucos, muito embora grandes, onipresentes e imponentes, hoje eu os quero bem e, pra sempre, hoje a mais ninguém. Eu os quero felizes, para brindarmos, eu os quero tristes, para gritarmos, eu os quero inteiros, pois me aguentaram falando só de mim, e da minha história, e só dela, e que provavelmente continuará assim por um tempo, eu que os deixo impotentes nos atos, prepotentes nos fatos, delinquentes nos lastros, eu os também quero vazios, para suportá-los, e eu os quero bem, porque assim a minha vida, enfim, fica bem também. Bem consigo e bem comigo, pois assim me querem o tempo todo, entendo, mesmo quando me dilaceram com verdades necessárias ou quando me acolhem, até a madrugada, chorando até a última gota de lágrima desse lindo mar de rosas, muito embora espinhento, em que me encontram.

E mesmo com todas as folias e as tremedeiras do meu coração, esse menor abandonado, e não vou dizer que não, porque inesperadamente voltou, mesmo com tudo isso, um pouco mais daquilo, um pouco menos disso, o que vale é o que vocês são hoje, e que talvez não tenham sido ontem, ou sim, mesmo sem saberem, e sem sabermos também o que seremos amanhã. Amanhã, bom, amanhã é outro dia, não importa se tu ficas, se eu fico, o que queres, o que podes, o presente, o distante, então que vocês o fiquem por mim, por vós, por nós, pra gente, pra sempre, hoje eu decidi presenteá-los, amigos notáveis e queridos, mesmo que singelamente ou por pura fantasia, e mesmo que despretensiosamente, com rascunhos, e que a gente, e que a dor, e que a magia, e que a folia, e que a flor, e que o amor estejam sempre por perto, e que seja doce, que seja doce, que seja doce, roubando Caio, sete vezes, e assim por diante.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

De novo

Assim, assim, o que foi já era, passou, e se um dia o tiver que ser novamente, e que assim seja, será bem diferente daquilo que já foi um dia, pois o pode, mesmo que igual, mesmo que banal, mesmo sendo o mesmo, da mesma forma, tudo igual.

domingo, 9 de outubro de 2011

Os meus domingos

Eu odeio os domingos, e não é de hoje. Domingo é ruim, é vago, vácuo, domingo é metade. De domingo, só me restam as manhãs. Não me servem as tardes, quentes, muito embora frias. Não me servem as noites, calmas, muito embora vazias. Não me prestam os domingos, eu detesto. Eu não quero os domingos, não me servem, não me atraem as sensações que ele traz consigo. O isolo, a saudade, o silêncio, a calmaria, não me serve nada disso, nem de noite e nem de dia.

Para alguns, o domingo é festa, feira, encontro, reencontro, é purificação e tradição. É energia pura e renovada para o amanhã. Para mim, até já foi, mas hoje é só uma fresta. É uma espera angustiante para que passe, pois demora, para que a semana comece, pois já vem, para que a labuta me consuma por completo. Se criativo fosse, esse ócio do domingo, eu até aproveitaria para tirar uma casquinha. Mas, nem isso é. As horas não passam. O meu domingo é tédio, é chato, é asco, é cru, é ansiedade, é espera, é procrastinação, é tudo isso e mais um pouco. O meu domingo é vão, o meu domingo é não.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Escrevo hoje

Hoje eu decidi que não vou escrever sobre nada. Eu vou escrever sobre tudo. Sobre tudo o que me aflige, me atormenta e me maltrata. Sobre tudo o que me move, me levanta e depois me mata. Hoje eu vou escrever sobre a dor, sobre o amor e sobre o calor dos verões de outrora. Eu vou escrever sobre o frio, sobre ser frio, sobre como acabei imergindo-me nessa onda de calafrios. Hoje eu vou escrever sobre tudo.

Sobre as encomendas, sobre as oferendas, eu vou escrever pra Oxalá. Hoje eu vou rascunhar. Hoje eu vou escrever sobre a alma, que falha, hoje eu vou escrever sobre as memórias da infância, eu vou escrever sobre a moça mais bonita da cidade. Hoje eu vou escrever sobre os meus dias, eu vou escrever sobre as noites vazias, hoje eu vou escrever uma poesia. Hoje eu vou escrever minha calma. Hoje eu vou escrever sobre a felicidade, sobre a tristeza e sobre a leveza que reluto em alcançar. Hoje eu vou escrever sobre os fracos, os frascos, eu vou escrever uma canção. Hoje eu vou escrever sobre o ódio, o ópio, a insegurança de ser um só no mundo. Hoje eu vou escrever sozinho. Solo. Hoje eu vou escrever sobre as drogas, sobre as fraldas do vizinho, hoje eu vou escrever sobre o choro da criança, sobre o porre que eu tomei no bar da esquina e sobre como ser um estranho no ninho. Hoje eu vou escrever sobre tudo isso.

Hoje eu vou escrever sobre a magia e sobre a minha inspiração, mesmo que tardia. Hoje eu vou escrever para a clarice, para o caio, vou dizer como consegui me entupir de salgadinhos na noite passada, assistindo ao filme do Woody Allen. Hoje eu vou escrever sobre o carnaval, sobre a Lapa, eu vou escrever sobre o meu inferno astral e até sobre o meu ancestral. Hoje eu vou escrever sobre o tal. Hoje eu vou escrever pra você, hoje eu vou escrever e depois renascer. Hoje eu vou escrever sobre o mundo, sobre o fundo do buraco negro à minha volta. Hoje eu vou escrever sobre o livro que eu li no mês passado, sobre o livro que eu leio agora e sobre o livro que você vai ler depois, o que estou também escrevendo agora. Hoje eu vou escrever sobre tudo e mais um pouco.

Hoje eu vou escrever sobre as flores, hoje eu vou escrever sobre arte, hoje eu vou escrever, por que escrever também faz parte. Hoje eu vou escrever sobre o cego, hoje eu vou escrever sobre o jazz. Hoje eu vou escrever minhas cartas, hoje eu vou escrever pros estranhos. Hoje eu vou escrever sobre os tristes, sobre os rifles, sobre as noites cansadas, sobre a enfermaria dessa madrugada. Hoje eu vou até o meu limite. Hoje eu vou escrever sobre tudo. E amanhã, bom, amanhã eu te conto.