E aí deve estar se perguntando. Mas por que ainda sozinha? Já faz tanto tempo... Sozinha porque quer, sozinha porque pode, sozinha porque ainda não está pronta para outra, sozinha porque escolheu ficar assim, sozinha. Mas, não se engane. Não é por estar sozinha, no amor, que está sozinha no mundo. Está sozinha consigo. Mas, com essas belas pernas torneadas, um milhão de encantados e encantadas, de cantadas, olhares tortos, esses olhos azuis, essa pele lisa e macia, o cabelo cacheado, aquelas tatuagens, três, se não me engano, tudo isso tem o seu valor. Ela tinha que saber. Ela tinha que saber usar isto a seu favor. Mas, não se incomode, pois ela não se incomoda, acho até que usa, mesmo que inconscientemente, não se engane. Ela sabe de si, ela se conhece. Ela é que escolheu estar assim, por agora, meio que se descobrindo. Metade indo, metade vindo. Se desenvolvendo, se encontrando, ou se reencontrando, e tentando se armar e se amar, para que possa, só depois, amar algum outro também. Quer amar a si própria, antes de tudo, antes do novo, antes de todos, antes de se transbordar em forma de aquarela. Ela, tão bela, difícil vê-la assim, sozinha, quieta, muito embora inquieta. Só que sozinha. Só. E tenha certeza, ou imagine consigo, é o máximo que você pode, ela só pode estar tramando algo com as suas entranhas, nos enganando com as suas artimanhas, meticulosamente. Daqui a pouco você vai vê-la por aí, saltitante, sorridente e com um sorriso daqueles bem marotos na sua face, hoje oculta, daqui a pouco desnuda. Ela está preparando alguma surpresa, eu sei, só é difícil entender.
My life, my stuff, my anxieties, my insomnia, my ideas, my desires. Shots of me and from my nonstop mind.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
domingo, 23 de outubro de 2011
Tristeza
E a leveza daquele ser insólito sempre esteve dentro dele. Eu já sabia. Ele, coitado, é que nunca soube. Isso nunca passou pela sua cabecinha oca. Andou te dando uma importância que você não merece e eu sempre percebi isso. Você caminhou com ele em grande parte daquela estrada cinzenta, é fato, e eu o acompanhei, e a você também. Muito de perto. Agora é hora de livrá-lo, suplico, muito embora sabendo que vai ser difícil. Vamos libertá-lo. Liberte-o. E eu sei, confesso, deixei-me envolver profundamente nessa história, mas agora não quero mais. Você o fez bem, depois o afundou e depois o puxou de volta. O inspirou, depois inspirou a mim também, demos as mãos, nós três, um carnaval inteirinho você inventou. E a gente, bom, a gente dançou. Você foi cruel, injetou veneno na veia, e mesmo assim ele te quis. E eu também. A gente. Ele pela metade. Eu inteirinha. Gostei, gostamos. Aceitamos, nós dois, todas as suas safadezas e as suas malvadices. Nós gostamos das suas cafonices, eu não vou mentir, não sei da parte dele. Acho que eu muito, ele um pouco menos, ambos tanto. Tanto arder, querer, viver. Tantos tantos e outros tantos.
Eu quis te encontrar, mesmo em partes não querendo aceitar. Insisti em relutar, mas você cavucou tanto que está aí, invadiu e ficou. Fez morada em mim, fez nele também, me tornou um pseudo sonhador e o tornou um romântico escritor. Você me refez, é verdade. Ainda que pela metade. Meio cheio, meio vazio, a escolha deveria ser minha, eu sei. Você o criou, você me moldou, me trocou, me jogou para o alto e me tornou um outro. Mas não um outro qualquer. Ele é que é o outro, você já sabia quando tudo isso começou. E eu nem o conhecia. Eu nem a conhecia. E agora que sou ele, o outro, o meu avesso, agora que estou livrando-me de ti e paquerando-o, assim, bem de leve, me despindo e desnudando-me quase completamente, você vem e me aparece com esse charme, esse olhar e essas piscadelas de outrora que me apavoram. Te tirei de lado, ou tentei, te tirei de letra, ou menti. Mesmo nesse domingo chuvoso, mais um, que me assombra, e está frio, muito frio, continuo tentando te enganar. E, sabe, acho até que consigo. Mesmo que esteja mentindo ou tentando. Pra mim, pra você ou pra ele.Você sabe, não é, será parte de mim para sempre, não preciso repetir, eu já te avisei e já me conformei. Mas, não sei se será dele também, acho que só de mim, assim que quero, ele também, ele não te quer, mesmo que insista. Desista. É hora de nos despedirmos, meu bem, eu de você, você dele, ele de mim, a gente da gente, queremos voar, cada um cada qual, você quer fincar, eu quero ficar e, ele, nunca mais voltar. Com a sua licença, com a dele, com a nossa, ou sem nada, ou com tudo, ao mesmo tempo, sem sabermos, à nossa maneira, queremos menos você, e você muito a gente, mas a gente um ao outro, e eu a mim, e ele a ele, e a gente à gente, assim, devargazinho, e você, para sempre, nunca mais.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Com gostinho de quero mais...
Amanhã eu volto. Mais uma vez. Outro dia, estive em Buenos Aires, quis ficar. Estive em Nova York, também quis ficar. De Paris, eu tinha certeza que nunca mais voltaria. No Rio, quando chego à Lapa, sinto que estou de volta para casa. E até na Bahia, aquela querida, eu queria ter ficado vendendo coco na praia e levando uma vida, assim, à minha singela maneira. A rotina vem, o tempo passa, o tédio toma, esqueço. Eu esqueço do que eu queria, apego-me à sensação eterna - e de fato acredito - que a minha vida é "subir Bahia e descer Floresta". E às vezes é, não sei bem. BH é bem assim: massa, divertida e cheia de subidas e descidas. BH é fantástica, não quero sair de lá. Eu amo, mesmo que não radicalmente como aquele grupo cafona, mas radicalmente como nos merecemos. A gente se merece, a gente se entende. É bem intenso.
Mas, confesso, a minha última passagem pelo Rio foi bem simbólica, na verdade mais do que eu esperava, assustei, afinal eu quis ficar um pouco mais do que outrora. Sensação estranha, quase fiquei. Mas voltei. Estou aí, são e salvo, do mesmo jeito que antes. Ansioso, esperando a hora de voltar. Agora, já estou aqui. Novamente. Voltando de novo. Mas não do Rio. Agora é de São Paulo. Quase triste. Querendo ficar, mais uma vez. Ou querendo voltar. São Paulo é estranha, é grande, é caótica, é arte, São Paulo é isso aí. É a minha cara, a sua, a nossa. Volto querendo prolongar a minha estada por, quem sabe, um ou dois anos. São Paulo me merece também. Não sei se mais que BH ou o Rio, mas me merece à minha maneira. Ou à sua. São Paulo é toda peculiar, mesmo sendo cosmopolita e grandona. Volto querendo voltar. Volto querendo bem em breve aqui estar novamente. Quem já esteve sabe como é, este anonimato me faz um bem danado. Eu quero pra mim. E mesmo que não volte, que eu volte aos meus dias, assim, normais, de sobes e desces, carregarei mais uma dessas sensações, que agora estão quase enchendo as minhas duas mãos. Mais intensas em uns dias, menos em outros, mas sempre ali, no meu peito, guardadinhas esperando a hora de voltar.
Aquele Oswald...
Sem mais.
Fotografias retiradas no Museu da Língua Portuguesa (18/10/2011), exposição "Oswald de Andrade".
terça-feira, 11 de outubro de 2011
O dia em que os meus amigos não saíram de férias...
Hoje, eu acordei com uma tremedeira estranha, latente, com a minha carne trêmula e molestada, a barriga agitada, a cabeça espraiada, não sei direito, é difícil entender, acho que estou me sentindo um pouco mal de novo, mas não é dor de barriga, não é tonteira, tampouco ressaca, talvez seja ele de novo, aquele mal que me assombrava num breve passado, às vezes presente, e que depois parou, e que talvez agora tenha voltado. Não sei. Deve ser mais um dos feitios dessa minha nonstop mind. È, dessa oca desvairada e desguarnecida, ou não, pode ser que não, o dia das crianças está aí, próximo, algumas datas simbólicas de outrora também, não sei direito, é meio assim, esquisito e incerto, por demais angustiante, muito embora intenso.
Eu sempre achei que eu fosse mesmo um pouco estranho, inédito e exclusivo, mas também premeditado, sistemático e abusado, ou não, talvez seja só o meu ego reprimido, ou não, escancarado, sei que hoje eu estou um pouco mais estranho, estou num dia estranho, está todo mundo estranho, tudo muito estranho. E como eu ando me alternando exatamente assim, entre estranhices, esquisitices e rebeldices, vários ices, iças e aquilo, bem achando que isto seja anormal, muito embora corriqueiro, comum e banal, decidi fazer com que hoje seja um dia anormal também, e especialmente hoje, que porventura nasceu cinzento, carregado de nuvens, frio, mas que já esquentou, o sol raiou, depois caiu um pé d’água, acabou a luz, um dia tenso, e eu talvez ainda muito influenciado também pelas recentes noites de insônia, mal dormidas, mal comidas, mal lavadas, assim assado, sozinho e só. Se a montanha não vai a Maomé, ele que vá até ela, que grite, que esperneie, que se encoraje e seja forte, em demasia, e que assim seja.
Mesmo hoje sendo um dia qualquer, em tese, e mesmo que não o fosse, um dia de uma semana qualquer, assim, uma terça inútil e fútil, barulhenta, qualquer coisa parecida, patati-patatá, decidi, eu mesmo e sem remorso algum, com que fosse assim bem diferente dos outros. Decidi que esse dia onze de outubro de dois mil e onze, e talvez os próximos onzes dos outros outubros que vierem, de dois mil e doze, treze, e assim por diante, talvez, e mesmo que simbolicamente, ou que isso seja apenas mais um dos meus devaneios, mais um shot da minha nonstop mind, eu escolhi que esse dia deveria ficar marcado, eu decidi que esse vai ser, daqui pra frente, o dia dos meus mais fieis: os amigos. De todos eles. O dia em que os meus amigos não saíram de férias. Ao contrário do que porventura eu tenha feito no passado, uma lição para o meu outro, o de outrora, ou não, o de agora, ou não, pois não os deixei, ou não, pois não me deixaram, ou não, pois o quiseram, ou não, pois, mesmo de graça, e sabendo que essa graça sairia caro, estamos aí, eles estão todos aqui. Dos meus amigos dos posts, dos alguns que eu escolhi, dos outros alguns que me escolheram, de todos eles, dos que nem sabem que estão nessa roda, assim, bem restrita, por dizer, dos que simplesmente apareceram do nada, de supetão, como a brisa que vem do mar, ou como a descida abrupta da montanha-russa, inesperada, no entanto gostosa, e escolheram ficar.
Hoje é dia daqueles que, mesmo sem saberem, às vezes, me fizeram momentos singelos à luz do dia, e mesmo sem serem muito íntimos, ou sendo também, cada um, cada qual, à sua maneira. Não vou citá-los, não preciso, nem aqueles que eu escolhi, nem os que me escolheram, nem os que apareceram, nem os que ainda surgirão, nem os que não sabem, nem aqueles que por apenas um dia foram, assim, demasiadamente únicos, sinceros e presentes, e nem mesmo os que a vida me cuspiu, assim também, de repente, pois todos sabem muito bem quem são, o que são e a que vieram. Eu gosto de vocês, mesmo que não saibam, e quase nunca em vão.
Mesmo que não sejam muitos, e talvez não encham as duas mãos que eu tenho, quem sabe um pedacinho do pé esquerdo, é, eu tento contar, e vejo apenas poucos, muito embora grandes, onipresentes e imponentes, hoje eu os quero bem e, pra sempre, hoje a mais ninguém. Eu os quero felizes, para brindarmos, eu os quero tristes, para gritarmos, eu os quero inteiros, pois me aguentaram falando só de mim, e da minha história, e só dela, e que provavelmente continuará assim por um tempo, eu que os deixo impotentes nos atos, prepotentes nos fatos, delinquentes nos lastros, eu os também quero vazios, para suportá-los, e eu os quero bem, porque assim a minha vida, enfim, fica bem também. Bem consigo e bem comigo, pois assim me querem o tempo todo, entendo, mesmo quando me dilaceram com verdades necessárias ou quando me acolhem, até a madrugada, chorando até a última gota de lágrima desse lindo mar de rosas, muito embora espinhento, em que me encontram.
E mesmo com todas as folias e as tremedeiras do meu coração, esse menor abandonado, e não vou dizer que não, porque inesperadamente voltou, mesmo com tudo isso, um pouco mais daquilo, um pouco menos disso, o que vale é o que vocês são hoje, e que talvez não tenham sido ontem, ou sim, mesmo sem saberem, e sem sabermos também o que seremos amanhã. Amanhã, bom, amanhã é outro dia, não importa se tu ficas, se eu fico, o que queres, o que podes, o presente, o distante, então que vocês o fiquem por mim, por vós, por nós, pra gente, pra sempre, hoje eu decidi presenteá-los, amigos notáveis e queridos, mesmo que singelamente ou por pura fantasia, e mesmo que despretensiosamente, com rascunhos, e que a gente, e que a dor, e que a magia, e que a folia, e que a flor, e que o amor estejam sempre por perto, e que seja doce, que seja doce, que seja doce, roubando Caio, sete vezes, e assim por diante.
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