Não é Deus, não são os orixás, o rivotril ou as drogas que te dirão quando tu poderás voltar ao play, é só o tempo mesmo. Eu não soube brincar, não pude descer, e nessa de esperar, ou de não saber esperar, de deixar o tempo passar, eu continuo ali, tão sempre e perto, longe, preso na minha loucura. Tem dias lindos, como o céu azul de ontem que poderá durar a primavera inteira. Tem dias negros, com nuvens cinzentas, como o de hoje, que poderiam durar todo o verão. O tempo é macho, ele não está nem aí para você. Então não dê manotas, não tente fingir manobras, não há como enganá-lo. Ele está aí, está em todos os lugares, ele é quem manda nessa porra, seu zero-meia duma figa. É um processo, eu avisei. E eu até acho, no final das contas, que o mundo dá voltas, que tudo volta ao começo, ao que já foi um dia. Sem pretensões, sem confusões, sem angústia, sem nada. O começo é tudo, e tudo ao mesmo tempo pode não ser nada, então não se desespere, dê tempo ao tempo, comece de novo, e se não der tente novamente, e assim por diante, até que um dia ele te concederá uma licença dessas de governo, por tempo indeterminado, mesmo que tardia, para que você possa, enfim, chamar o elevador novamente. "Moço, tá descendo pro play?"
My life, my stuff, my anxieties, my insomnia, my ideas, my desires. Shots of me and from my nonstop mind.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
terça-feira, 22 de novembro de 2011
À procura
Eu parei de procurar a morte, esqueci-me de buscar a vida.
Eu parei de procurar o novo, desisti de remexer o velho.
Eu fiquei no meio, e meio é equilíbrio.
Eu parei de procurar em tudo.
E assim, talvez, enfim eu consiga achar.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Tudo junto e misturado, é um processo.
Hoje eu acordei empolgado para escrever, pelo passado que brutalmente veio à tona, por tantas e tantas outras novidades ao mesmo tempo, a inspiração que vinha do nada no meio da tarde, mas aí segundos antes, e antes mesmo que eu abrisse o rascunho, acabei entrando em um outro blog, de uma amiga, e saí um pouco mais reflexivo do que empolgado, confesso. Sem poesias por hoje, eu fui à lona.
O texto não é nada triste, é lindo e simples, mas sei lá, entrei nessa vida da escrita há tão pouco – muito embora já esteja querendo arriscar-me num livro de gente grande, é verdade -, e a cada dia que passa me surpreendo com pequenos detalhes. Hoje, o que me surpreendeu foi a semelhança do processo dela com o meu. Escritas semelhantes, coincidências, verdades malditas, mal ditas, todas essas interconexões moleculares e as diversas formas que usamos para falar constantemente – mas nem sempre - das mesmas coisas, sei lá, de dois ou três sentimentos, talvez uma meia dúzia.
E como somos criativos, divertidos e diversificados. Não só eu e ela, a minha amiga do outro blog, mas você e todos os outros milhares (ou milhões? ou bilhões? ou todos nós?) que também se arriscam na escrita por aí. Eu não minto, é intrigante. Tem uns que são barangos, é verdade, outro dia no escritório mesmo eu me deparei com uma frase daquelas do tipo de autoajuda pregada na porta da cozinha, na porta do banheiro, em todos os lugares, ela me perseguia, sabe, era uma coisa trash do tipo “autor desconhecido”, arghh. Mas esses são as exceções, pois a maioria, no final das contas, acaba sendo legal. A gente se vê nos outros, os outros se veem na gente, é uma salada mista e uma montanha, literariamente falando, russa.
E talvez não haja nada de novo nisso, talvez nem a minha escrita seja, é um processo muito parecido em qualquer lugar, com qualquer um, somos todos meio que iguais, mesmo sendo diferentes. Mas mesmo assim decidi confessar algo bem íntimo, afinal estou me vendo nos outros cada vez mais e isso me estranha. Mas me excita também. Estou começando a decifrar-me e decifrar a similaridade dos meus textos com os seus, com os da minha amiga do outro blog, com os de todos os outros, acho que também já ouvi isso antes, e não estou nem falando da escrita, da estética, das artimanhas ou da maneira. Nada disso. Estou falando do processo. Esse mesmo processo que nos levou a vomitar, a levantar, a acalmar, a inspirar e a tantos outros verbos terminados em ar que aqui poderia citar. É um processo longo que se chama tempo e vai tomando forma de pouco em pouco, de gota em gota, é o novo que vai se materializando, tudo vai passando lentamente, como o café que a vovó fazia no filtro de pano, é o transbordar em forma de arte e é o entregar-se ao mundo em forma de palavras. É revelar-se de uma forma do tipo “me empresta o seu peito, porque a dor não tá cabendo só no meu”.
Mais uma vez o texto do blog dessa minha amiga me pegou. Mesmo sós ou acompanhados, todos nós, cada um cada qual, eu, você, ela e todos os outros, concordamos em seguir em frente. Temos que. Queremos, é evidente, sinto-me par de todos eles nesta empreitada. Tu daí, eu daqui, ela de lá e outros tantos e tantos em outros tantos e tantos lugares do mundo armando estratégias minuciosas, se munindo de ferramentas, de armas, de palavras e de coragem para um dia, simultaneamente, quem sabe, atravessarmos a ponte.
E se tudo der certo, e vai dar, eu vou de carro, você de espaçonave, ela vai de bicicleta, o betão vai de kombi, liga pro marquinhos que ele dá carona, ele tem uma van, a antônia vai de avião, o jones de caiaque, o cirilo vai de perna de pau, o mequinha de charrete, a marthinha vai à pé, nós vamos, vamos todos juntos, formaremos um exército ou uma trupe, mesmo separados, sei lá, do tipo tropa de elite, o rumo é o mesmo e quem sabe à noite, talvez, a gente não se encontre por lá?
A minha amiga de escrita é a Ludmila Azevedo e o texto que eu falei é esse aí ó... Ludj: All by myself
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Matéria de amor
Em matéria de amor, não prometa nada. Falo por experiência própria. Eu prometi algumas vezes, foi muito bom, eu me dei bem. Gozei muito. Mas depois me dei mal também, foi um pouco ruim. Então não falo só por mim, ou pelo meu amor, ou pela flor que murchou no outono passado, a flor do lado de lá, eu falo por todos os que já amaram, e que por amarem prometeram, e que por prometerem quebraram a cara.
Em matéria de amor, não prometa nada. É simples assim. Mas se essa menina malvada que insiste em cutucar as suas entranhas, chamada paixão, ou tesão, insistir com frases do tipo “se jogue, você não tem nada a perder”, então se jogue meu caro, você não tem nada a perder. É simples assim. Se entregue, prometa, se prometa. Sinta-se vivo, viva, transcenda a inutilidade apropriada e essa carapuça que te serviu desde que o último amor se foi. Se jogue. Mas se o fizer, que o faça necessariamente com uma pitadinha de bom humor e de amor próprio também. Vai te fazer bem.
Em matéria de amor, não prometa nada. É a minha vã sensação. E se amar, prometa, e se prometer, ame, se ame, para sempre, mais do que aos outros. E se o fizer, e que o faça, pois poderá ser gostoso, se derreta, se divirta, se aceite. Eu torcerei daqui, de longe, sorrindo, para que, prometendo, a si mesmo ou aos outros, que faça figas e tenha sempre os dedos cruzados e um sorriso oculto bem maroto escondido atrás da sua verdadeira face, como daqueles movimentos maduros em que compreende minuciosamente cada detalhe do que está fazendo. Pois a sua maior promessa ainda está por vir, tenha certeza, ela sempre estará, ela está por aí, no meio de tudo, na sua alma, no meio de nada. Ou não.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
O meu amigo Matias
Hoje é aniversário do Matias. Ou Mateus, para os mais íntimos. O Matias é um daqueles caras que tem, tipo assim, um coração do tamanho do mundo. Matias está no top três, isso eu não posso negar. Faço questão. O Matias é um pouco sem limites, toma todas, mas é assim que a vida é bonita. Ser sem limites. E ele é. Pelo menos quando está presente. Pois quando não está, certamente está tramando mais um dos seus loucos projetos, que sempre vêm à tona, como resolveu ser piloto de avião outro dia ou se arriscar nas estradas da vida, também, rebocando alguns infelizes. O Matias é assim, foi rebocado pela vida. Precisa se libertar de algumas coisas, é verdade, eu já falei com ele, mas quem não precisa?
Matias é maduro em alguns aspectos e muito imaturo em outros. Ele consegue ter uma das imaturidades que eu mais almejo, o desapego, eu tenho inveja. Ele não está nem aí. Chega atrasado num movimento como daqueles de quem não entende nada, te faz esperar, marca e desmarca de última hora, esse é o Matias. Ou Mateus, porque eu prefiro assim. Mas, ao contrário, é companheiro também. Se necessário for ele te leva até Belém, te devolve quando está bêbado, fica no hospital até a madrugada se preciso for, chora junto, ri junto, viaja junto. Ele até se dá ao luxo de se refrescar em plena chuva, não tem problema, porque depois seca, ele não tá nem aí. Entra de corpo, alma e a cara mais lavada do mundo naquilo que lhe faz bem.
Matias ainda vai crescer. Muito. Não tenho dúvida. Um dia ele pegará um desses aviõezinhos aí que eu costumo chamar de “teco-teco”, mas que ele abomina, e decolará para quem sabe, um dia, chegar num outro lugar. Em um lugar qualquer, diferente do agora. Mas, se não chegar, também não tem problema, ele sempre carregará consigo a certeza de que está fazendo bem a si. E, no final das contas, é isso mesmo que importa.
Hoje é aniversário do Matias e eu não vou beber com ele porque, mais uma vez, despretensiosamente, ele fugiu sem querer. Então decidi escrever, dar parabéns por aqui mesmo, porque em uma dessas fugas, se ele tiver um tempinho, com certeza vai passar aqui para dar uma espiadinha – porque ele também é um dos raros que divulga o meu blog - e se deparar com o meu feliz aniversário tomando tipo um susto. Matias é um desses caras que eu adotei assim tipo pra vida inteira, eu escolhi, ele escolheu, fazer o quê, a gente se entende.
Ó o Matias aí ó, numa dessas fugas da vida com os amigos bêbados que ele sempre arranja por aí. É um pára-raio que só Deus. Ele é o que está de pé, indo, mas poderia muito bem ser o outro!
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