e
então que não já há mais a folga da ausência encontrada ao campo. e há de haver
algum dia?. das vísceras?. e assim torno-me à rotina estreme ao domingo vão de
céu azul e poucas nuvens à janela ao canto do quarto vazio. os tragos
acabaram-se, os muitos que me acompanhavam à ausência interrompida, e as cartas
em despedida no estranho jogo de palavras soltas ao ano que esvai não puderam
de lhe ser entregues porque não havia sinal. e havia de ter?. não recebi as
respostas, também. e havia algo ainda de ser dito?. encontrei-as inertes junto
ao corpo vazio. todas elas. estavam lá bem ao peito!. há um livro a entregar-te
também à espera no tempo, ao ano que corre, ao conto que conto. e assim
dar-te-ei novamente um dia todas as palavras, então. e hão de ser tuas?. torno-me
hoje ao silêncio em rotina, sim!, não chora mais o céu as lágrimas de outrora.
e entregar-te-ei junto aos sonhos, enfim, todas as flores no jardim do fundo à
tua espera. e é-se então uma despedida?.
My life, my stuff, my anxieties, my insomnia, my ideas, my desires. Shots of me and from my nonstop mind.
domingo, 6 de janeiro de 2013
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
pedaço de papel
mudei-me,
mudou-se, mudamos juntos. não somos mais o que éramos há tão pouco antes desse
verão. muito embora impreciso, esse estranho desejo anunciado no
último encontro às cegas na sala antiga de parede vermelha cutuca-me tão belo e
agressivo em algum lugar ainda intocável do corpo vazio que não consigo sequer
me mover. não encontro-o ou não consigo ainda tocá-lo, mas sinto-o com tanta
força. sinto-o tão próximo com muita e tanta
força querendo-me invariavelmente seu e ligeiramente entregue à possibilidade
do reencontro que ouso-me arriscar capaz de aceitar-me mais pulsante e
estupidamente forte à ideia dos delicados e estremes toques até o gozo estúpido
que sequer pudemos nos permitir nesse último encontro.
e onde
vai dar?, se há de haver reencontro?, se daqui a pouco ou no próximo verão?. pouco
importa!, nada importa!, nada ou pouco importa em aceitarmos mesmo
tardia a possibilidade do reencontro a gozarmo-nos a alma intacta para que
possamos enfim sugar-nos das melindras entranhas a urgência desse hoje
impreciso. pois o que fica dessa viagem interrompida, desse conto encontrado em
desejo estranho no corpo vazio, é que os dias viraram-se do avesso a
imaginar-me pintando-te a aquarela nos seios macios com as novas flores e os
novos sabores, e com as novas cores servidas com o gosto límpido das tuas puras verdades
desprendidas da vidraça estilhaçada além de mim. e mesmo que não houvesse
reencontro por agora, e há de haver algum dia?, guardar-te-ei junto ao peito inerte todas as sílabas sequer
pronunciadas e que jamais caberiam-me ao singelo pedaço de papel que dispenso-te hoje junto ao ano que esvai porque amo-te muito mesmo sem saber amar.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
procurando...
ando
precisando empenhar-me em projetos e ideias que me deem mais tesão.
ando
precisando de mim.
acontecem
certas coisas em dias comuns que fazem-lhe questionar novamente algumas condutas. muito. a morte próxima, o
novo, o incerto, de tudo um pouco ao mesmo tempo. um emprego bom, a roupa de
marca, certo dinheiro no bolso, a viagem para o exterior que acontece todos os
anos, a leve despreocupação com as contas a pagar ou com o que vem depois, o
carro do ano, a aparente segurança.
diríamos
equilíbrio.
razão.
e de que
vale, no final das contas - e mesmo que seja mais um clichê - se não vale ao
mesmo tempo nada? desequilíbrio. eu busco desequilíbrio. e quero gente
desequilibrada ao meu redor. quero amigos que me façam desequilibrados, que me
questionem e me façam como sou. que gostem-me como sou, pois na mesma medida
desmedida lhes entregarei em troca. entregar-lhes-ei flores. muitas.
um
desemprego bom, uma roupa que apenas cubra o corpo desnudo, o dinheiro na
medida certa, a viagem ao (meu) interior, a sensação de que as contas pagas
valham de fato cada centavo gasto, uma bicicleta e um carro mais antigo para
levar-me onde quer que seja, uma insegurança que me leve além. além de mim e da
aparente segurança impregnada em um medo-bolha que cobre-me os dias.
diríamos
desequilíbrio. diríamos emoção. diríamos, então, vida.
caos-motor.
vida.
ando
precisando de mim.
ando
precisando empenhar-me em projetos e ideias que me deem mais tesão.
ando
precisando ir.
ou
vir.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
delicadeza
talvez não quisesse por agora,
você também talvez não.
não esperava, não esperávamos,
não cavávamos desmedidos em meio ao
caos anunciado.
histórias, mudanças,
poemas, o novo.
de novo.
existem flores do lado de lá,
talvez existam de cá também.
talvez.
o acaso impávido e suave à porta.
revelação.
sussurrava o vento coincidente.
silenciosos e em química como a receita
talvez sugerisse
encontramo-nos neste setembro.
é primavera!
e houve o toque.
e houve a pele.
e houve o impávido e suave acaso batendo
à porta.
ouve.
houve o inesperado presente.
instantes.
o inevitável desejo à espreita:
sentido antigo que esvai, sinto.
sentido antigo que esvai, vai...
eu em busca de mim e da leveza
impalpável,
ao encontro do meu corpo.
tu em busca de ti e da tua verdadeira
face, dos teus verdadeiros gestos,
do teu mais sincero e estúpido gozo.
límpido.
quero-te em pitadas. quero-te limpa.
quero-te tua. crua.
queira-me como podes, ou como queres,
ou como podes querer-me. nu.
queiramo-nos como pudermos ser: leves.
não há urgência. mas há sinais.
o corpo fala. diz muito.
tem vezes grita.
urra! _________,
sentido vem.
vem...
palavras-tom.
som!
queira-me em silêncio. querer-te-ei
assim também.
não me prometa muito, não lhe prometo
nada.
não me prometa nada, não lhe prometo a
vida.
mas lhe prometo vida.
vida.
vida.
apenas venha fresta e olha-me nos olhos, por enquanto.
beije-me o teu beijo vermelho.
a tua boca vermelha, os teus lábios
vermelhos.
suja-me todo e sinta-me em teu corpo.
tocar-te-ei sem cócegas então como
tocam o céu as andorinhas.
como os mais puros acordes arranham-te
as costelas.
tocar-te-ei as entranhas até o gozo
mais estúpido e límpido da tua alma.
vivo.
e olhar-te-ei enfim como olham os olhos
mais possíveis desse impávido e suave acaso.
livres.
sinta-se no instante. deixe se impor
sobre o tempo.
o tempo. o tempo. o tempo.
relógio-tempo.
entrega-me um conto e devolver-te-ei
uma carta.
sinta-te em teu corpo e suja-te toda
com os teus dedos,
olha-te em teu beijo e beije o teu
próprio rosto com as tuas palavras doces,
a tua boca vermelha, os teus lindos lábios
vermelhos.
despeça-se viva,
viva!
e toque-se na medida mais estreme da
leveza encontrada.
me encontrarás por lá também.
sintamos os sintomas.
sintamos.
sintomas.
uma flor do lado de cá.
uma rosa do lado de lá:
papeis em branco a preencher.
deixe impor-se tácito o tempo no tempo,
no tempo, no tempo
relógio-tempo,
e seja como for mesmo no breu do
presente:
__________, nova!
escorra-me os teus beijos vermelhos, os
teus lábios vermelhos,
a tua boca vermelha, o teu sangue
vermelho.
escorra-me toda a delicadeza e a tua verdade impregnadas no teu corpo,
jorra-me!, goza-me!,
goza-me todo!
goza-me todo!
goza-me todo!
goza-me todo!
goza-me todo delicadeza!
todo!
todo!
delicadeza!
limpa-te e goza-me todo o teu gozo mais estúpido
e límpido sem a pressa de termos,
ou sem a pressa de sermos,
ou de tocarmos as nossas entranhas impalpáveis.
ou de tocarmos as nossas entranhas impalpáveis.
aceitemo-nos sem os espinhos do relógio-tempo no que nos há de melhor por agora,
impávidos,
chamemo-nos suave acaso, ao acaso, e sejamos
então,
e enfim.
a urgência mata.
mata.
mata.
goza-me inteiro,
e por agora.
mata.
goza-me inteiro,
e por agora.
______________!
dois pontos:
domingo, 4 de novembro de 2012
conto encontrado
sabiam-se
opostos perfeitos de tão imperfeitos. o acaso os presenteava naquele instante
inesperado. partidas mal feitas, chegadas aceitas. aquele cara era o estranho
perfeito e a aquela bela moça era o incerto aceito. conheceram-se numa dessas
noites quase frias e chuvosas de primavera, embriagaram-se em suaves pitadas do
inevitável toque à espreita e despediram-se com os rostos colados sabendo que
talvez não pudessem se encontrar novamente tão cedo. mas queriam muito porque
já se sentiam um pouco um ao outro desde o primeiro olhar encontrado. ela queria
entender por que a tinha procurado naquele instante inesperado em meio ao caos dos
dias que se anunciavam e provar um pouco mais do gosto suave dos seus lindos
lábios do acaso. ele queria saber mais sobre os seus sonhos, tocar a sua pele límpida e macia como na primeira vez e sentir novamente o cheiro do seu ventre pulsante em suas mãos. queriam
ver o mar sob os seus próprios olhos e queriam também andar novamente de mãos
dadas no meio da multidão pelas ruas históricas da cidade repetindo os gestos
encontrados no breu daquela noite quase fria e chuvosa de primavera.
sabiam-se
opostos perfeitos de tão imperfeitos e aceitaram-se em química. não havia outro
nome para aquele encontro do acaso. química. os seus lindos lábios suaves a esperavam, a
sua pele límpida e macia o pedia piamente. os seus olhos a viam de longe e a sua
carne permanecia-se trêmula mesmo à distância. carregaram consigo desde o
primeiro instante inesperado um desejo súbito de seguirem adiante com o conto
encontrado mesmo que não comentassem o saudosismo instantâneo que
tomou-os desde a primeira despedida e a certeza do inevitável agora entranhada
na memória. a vida lá fora passava inútil e estúpida, e mesmo que nada tivesse
acontecido no primeiro encontro e que já soubessem de certa forma que outros
dias bonitos como aqueles ainda estavam por vir porque queriam-se novamente tocando
as nuvens com os rostos colados, sabiam-se seus desde aquele instante inesperado
e que mais impossível do que se reverem tão cedo como o conto encontrado ao acaso
sugeria-os era a possibilidade de aceitarem-se longe um do outro depois daquela
noite quase fria e chuvosa de primavera quando se beijaram pela primeira vez.
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