Juju é filha dos meus padrinhos e afilhada dos meus pais. É, também, minha afilhada.
Juju não é só uma Silva. É coragem, força, perseverança, inteligência, é sinônimo de persistência e muito mais. Amo incondicionalmente, é a moça dos doces do natal, a mãe da Bia e a filha da minha Dindinha.
Tentou a faculdade, conseguiu. Tentou o estágio, conseguiu.
E agora? Juju vai ser doutora.
Onde essa menina vai parar? Quem te viu, quem te vê.
Saiu de Varginha muito cedo, hoje fala francês e é, de fato e de direito, cidadã do mundo.
O primão aqui (e irmão e dindinho) está babando e gosta de ver que tudo caminha tão bem. É muito bom saber que as pessoas que a gente ama, mesmo que de longe, estão felizes e crescendo.
O orgulho me pegou. O meu apoio sempre será incondicional.
Você não sente medo de nada, o mundo está aos seus pés.
Infelizmente, mais do que nunca BH caracteriza-se como uma cidade "meio". Não é charmosa como as pequeninas do interior, nem cosmopolita como as grandes (e próximas) RJ e SP.
Eu tenho medo... Afinal, vivi meus primeiros 17 anos em Varginha e um dos fatores que me motivou a mudar foi justamente esse: a tentativa de poder mais. Lá não podíamos butecar nas calçadas, todas as tentativas de carnaval de rua foram proibidas (tanto micaretas, que particularmente não gosto, quanto de marchinhas). Shows? Só no Parque de Exposições, bem longe da cidade, que é para “não incomodar o povo”.
Mas, cá entre nós, qual povo?!
E, impressionantemente, sinto que BH cada vez mais se aproxima de Varginha (claro, com as devidas proporções). Apesar de diversas potencialidades (e nem preciso citar aqui os museus, as manifestações da sociedade civil, as praças, os festivais, os butecos, as comidas, a efervescente produção que aqui se apresenta), daqui a pouco não terá o charme das pequenas e nem a agitação das grandes. Essa câmara aí quer me proibir de beber no copo, quer me proibir de ir em shows à noite, quer me proibir de mais um tanto de coisa. E é assim mesmo. Dá trabalho? Proíbe. Chama atenção? Proíbe. A prefeitura até tenta, vem aí a revitalização da savassi, da região da praça da estação, do parque municipal, as ciclovias, mas com muito (mas muito) quezinho ainda de falta. E se continuar assim não dá.
Ficaremos exatamente no meio. E meio é equilíbrio demais, é vida de menos.
Manifestação pra lá de legítima, o Carnaval de Rua desse ano – puxado pela sensacional praia da estação – foi maravilhoso, um grande marco. Vivi, bebi, pulei, entusiasmei, gozei. As marchas – que também participei – os movimentos dos jovens, as discussões e as propostas (com falta de respostas, é fato) também vêm numa crescente invejável e é de ficar com esperança.
Afinal, a cidade é do povo e a sua apropriação não é só de direito, mas necessária.
Eu quero festivais no parque, quero tomar sol na praça, quero beber no copo, quero andar de bicicleta na rua, quero pular carnaval na savassi e em santa tereza, quero ir à feira hippie e quero também o apoio da prefeitura. Eu quero segurança, infraestrutura e legitimação.
Aliás, às vezes nem quero tudo isso, mas apenas a certeza de que posso querer.