segunda-feira, 4 de julho de 2011

Vazio



Cru.
Devasto.
Nefasto.
Buraco.
Abismo.
Precipício.
Sacrifício.
Omisso.
Óbvio.
Vácuo.
Vago.
Inapropriado.
Insólito.
Estranho.
Frio.
Esse é o sentimento do dia.
Vazio.

domingo, 3 de julho de 2011

Didi

Judith, Dinha, Key, Tia Dith. Didi.
Na última quinta, fez um ano que Didi se foi.

Didi, na minha vida, foi muito importante.
Minha mãe emprestada em BH.
Didi era guardiã e fiel escudeira daquilo que eu queria roubar.
Ao invés de relutar, me entreguei.

Da Didi fiquei amigo, confidente e busquei ser leal.
Todas as tardes, lá estava ela. Todas as noites, estava ela lá também.
O meu telefone não passava um dia sem receber sua ligação.
E eu gostava. Gostava de tentar cuidar daquilo que a Didi amava.

Na Didi consegui entender o que era o amor sob quaisquer condições.
Entendi a importância e a real função de um plástico-bolha.
Aprendi que requeijão, na verdade, era creme.
Que a vida é curta, que as galinhas são lindas e que a chuva estava vindo.
Que roupa não se perde. Que chorar, às vezes, faz mal.
Aprendi também que é até boa a comida sem sal.
E que cozinhar era apenas questão de detalhe, o importante era saber mandar.

Me chamava de filho, quando gostava. Me chamava de Leo, quando aceitava.
Quando achava ruim, era Leonardo. Quando odiava, nem me chamava.

Didi, pra mim, foi luta, fé, força, carinho, amor.
Didi faz falta. Didi é, também, saudade.




Para Júlia, Silvana e Tia Eliana, todo o meu amor e carinho.

Saudades

Dos dicionários: Ayánn, Amore, Láska, Líebe, Lief, Amour, Ijubezen, Rakkays, Sevmek, Volím, Dragoste, Aímem Dua, Liefhebben, Kärlek , Kærlighed, Rakastaa, Love, Amor.

Da minha vida: saudades.

Hoje, metade de mim é amor e a outra metade é saudade.
Metade de mim vem buscando. A outra metade, esperando.
Eu sou o encontro e o desencontro, saudosismo é meu sintoma.

É, gosto de ter saudades.
Da família, da escola, dos amigos, das coisas que não tenho mais.
E até daquelas que talvez eu tenha, mas que não estão.
Se vão.

Saudade alimenta. A gente, inventa.
Domingo já foi pé de cachimbo. Hoje, eu fico no limbo.
Domingo é ressaca, parede e sofá.
Não toca a campainha, sequer vou à cozinha.
Até mesmo os domingos de sol. Hoje, só futebol.

Saudade é maluco, amar é estranho. Faz parte de mim, convivo e aprendo.
De que adianta, se até nas insônias elas são constantes?
Nas minhas entranhas, na mesa de jantar e na sala de espera a lugar algum.
Até nas coisas que penso. E como peno, é muito intenso.

Algumas aceito, por outras reluto.
Saudades boas, saudades ruins.
Saudades escritas, saudades transcritas. Saudades malditas.
Saudades de mim, saudades sem fim.
Saudades meu bem, saudades além.
Saudades de alguns carnavais. De outrora, muito mais.

A liberdade é impalpável.
O equilíbrio inalcançável.
A solidão insustentável.
Sou um ser incansável, deveras amável.
A gente é da gente mesmo. Minha insanidade está a esmo.

A parede colorida, agora é fosca.
Hoje estou meio Chico César, meio Moska.
Um pouco de mim agora é Marisa Monte.
Um dia, infelizmente, atravesso a ponte.

Porque nessa intensa busca por mim mesmo, viver é só questão de tempo.
Saudades.









sábado, 2 de julho de 2011

Juju vai ser doutora

Juju é prima e irmã.
Juju é filha dos meus padrinhos e afilhada dos meus pais. É, também, minha afilhada.

Juju não é só uma Silva. É coragem, força, perseverança, inteligência, é sinônimo de persistência e muito mais. Amo incondicionalmente, é a moça dos doces do natal, a mãe da Bia e a filha da minha Dindinha.

Tentou a faculdade, conseguiu. Tentou o estágio, conseguiu. 
E agora? Juju vai ser doutora.

Onde essa menina vai parar? Quem te viu, quem te vê.
Saiu de Varginha muito cedo, hoje fala francês e é, de fato e de direito, cidadã do mundo. 

O primão aqui (e irmão e dindinho) está babando e gosta de ver que tudo caminha tão bem. É muito bom saber que as pessoas que a gente ama, mesmo que de longe, estão felizes e crescendo.

O orgulho me pegou. O meu apoio sempre será incondicional.
Você não sente medo de nada, o mundo está aos seus pés.








Brilhe!!!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Belo Horizonte, cidade meio

Infelizmente, mais do que nunca BH caracteriza-se como uma cidade "meio". Não é charmosa como as pequeninas do interior, nem cosmopolita como as grandes (e próximas) RJ e SP.

Eu tenho medo... Afinal, vivi meus primeiros 17 anos em Varginha e um dos fatores que me motivou a mudar foi justamente esse: a tentativa de poder mais. Lá não podíamos butecar nas calçadas, todas as tentativas de carnaval de rua foram proibidas (tanto micaretas, que particularmente não gosto, quanto de marchinhas). Shows? Só no Parque de Exposições, bem longe da cidade, que é para “não incomodar o povo”.

Mas, cá entre nós, qual povo?!

E, impressionantemente, sinto que BH cada vez mais se aproxima de Varginha (claro, com as devidas proporções). Apesar de diversas potencialidades (e nem preciso citar aqui os museus, as manifestações da sociedade civil, as praças, os festivais, os butecos, as comidas, a efervescente produção que aqui se apresenta), daqui a pouco não terá o charme das pequenas e nem a agitação das grandes. Essa câmara aí quer me proibir de beber no copo, quer me proibir de ir em shows à noite, quer me proibir de mais um tanto de coisa. E é assim mesmo. Dá trabalho? Proíbe. Chama atenção? Proíbe. A prefeitura até tenta, vem aí a revitalização da savassi, da região da praça da estação, do parque municipal, as ciclovias, mas com muito (mas muito) quezinho ainda de falta. E se continuar assim não dá.

Ficaremos exatamente no meio. E meio é equilíbrio demais, é vida de menos.

Manifestação pra lá de legítima, o Carnaval de Rua desse ano – puxado pela sensacional praia da estação – foi maravilhoso, um grande marco. Vivi, bebi, pulei, entusiasmei, gozei. As marchas – que também participei – os movimentos dos jovens, as discussões e as propostas (com falta de respostas, é fato) também vêm numa crescente invejável e é de ficar com esperança.

Afinal, a cidade é do povo e a sua apropriação não é só de direito, mas necessária.

Eu quero festivais no parque, quero tomar sol na praça, quero beber no copo, quero andar de bicicleta na rua, quero pular carnaval na savassi e em santa tereza, quero ir à feira hippie e quero também o apoio da prefeitura. Eu quero segurança, infraestrutura e legitimação.

Aliás, às vezes nem quero tudo isso, mas apenas a certeza de que posso querer.




Chuta a família mineira!!!