Ando
sabendo-me da cabeça aos pés por agora e, sentindo-me meio desligado e sem saber
muito bem por onde caminhar, retroagi em mim, como lhes disse outrora, e imergi-me exacerbado em introspecção com
certas dúvidas que me permeiam e a ansiedade, contraditoriamente, agora caminha lado a lado com os meus dias e com a minha intensidade extremamente radical, não
mais a tristeza ou os leves vazios que se colocaram ante a mim num passado não
tão distante, momento de transição e de certas novas conexões, e de desconexões
também, talvez, transeunte que sou, desapego iminente, e o fato é que ando pensando em não pensar
muito sobre esse de tudo um pouco desconhecido que acontece comigo ao mesmo tempo nesta hora
indigna e bela, muito embora incerta e imprecisa, mas que desata certos nós, e remói
as entranhas, e chacoalha a carcaça, e faz pular-me de súbito da cadeira desse ontem inédito e confuso tornando-me um pigmeu insensato e de loucas e irreconhecíveis e tardias e dolorosas indecisões.
My life, my stuff, my anxieties, my insomnia, my ideas, my desires. Shots of me and from my nonstop mind.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
segunda-feira, 18 de junho de 2012
As peripécias do quase sempre
Ainda
reside em mim certo sufocamento sobre algumas questões, um estranhamento com
certos lugares, com certas pessoas, com algumas decisões e indecisões, e existe
em mim também certa imprecisão diante de coisas malditas, mal ditas e azedas, uma
sensação de incompletude dessas que corroem os lábios e um quase suave e
iminente descolamento de certas coisas materiais que necessitam desapego. Mas
sinto-me diferente de antes, não é bom? Porque hoje eu posso dizer com alguma
propriedade que me assumo como estou, como eu sou, como andam os meus dias ou como talvez eu queira ou
possa, muito embora tenha me passado por outro em
boa parte dessa estrada porque eu precisava. Eu precisava, porque eu precisava
ser outro para que eu pudesse, enfim, ser esse eu novo. Ser eu de novo. Esse eu
de agora. Precisava muito desse retrocesso em mim, e então retroagi para que
estivesse mais preciso e mais atento por agora. E estou. Como estou. E como
sinto-me também enganado por mim mesmo, tem vezes. Mas pouco importa, porque
estou indiferente. Sentimento dúbio, como nunca ninguém tinha pensado nisso?
Indiferente. Diferente por dentro, indiferente carcaça. Desconexo e
contraditório. Ligeiramente louco.
E
acho até que posso, pois é como eu me apresento ou tento e finjo me apresentar
por agora. Porque no fundo eu nunca soube se havia algo de errado comigo, e
talvez não, e talvez nunca, e talvez eu possa sentir-me no meu direito
indiferente, mas o fato é que eu me queimei, certas vezes, e queimei também
certas etapas desse processo que preferi chamar por autoimersão. Processo bom,
pleno, e nisso aceitei-me quando reconheci a libertinagem que transcorria em
minhas veias, em mim, em todo o meu corpo, mas isso foi bem depois do começo se assim posso dizer, pois devo confessar
que em certos momentos eu optei por fugir-me à sarjeta e encontrar-me escondido
a tira colo com alguma bebida ou muitos tragos ao meu redor do que encarar o
inevitável e inescrupuloso embate com a minha própria alma. Declinei sobremaneira,
mas não havia como desistir dessa tarefa árdua e insuficiente de tentar
recolocar-me ante ao espelho e chamar a mim mesmo de filho da puta, ou de carne, ou de contradição, humano transeunte, vivo, vivo, vivo, porque é o
que eu era, normal, porque é o que eu sou, e vou ser sempre, e todos somos de certa
maneira também ou pelo menos um pouco.
E
nessa época, nesse passado não tão distante antes que isso tudo se revelasse
agora em forma de vômito encantado - sim, encantado -, a carne do jantar era preterida antes mesmo
que a mesa fosse posta a mim, antes da minha hora, antes que eu permitisse-me
adentrar no meu veneno mais doce, porque eu gostava muito pouco e sentia-me
desconfortável em degustar os sulcos naturais que se formavam em mim. Mas era
preciso, dedo na ferida, o fundo do útero, introspecção profunda. Tanto é que
hoje, indiferente, já me interessam muito mais os loucos de viver, por viver,
os que sabem viver e que não fingem-se santos, pois o são genuinamente também,
como Kerouac e Cortázar, ou como eu mesmo arriscando-me em hesitar porque não tenho mais
medo e nem aflição, ou como outros eus que sempre vou encontrar numa dessas esquinas
quaisquer de Bangladesh, ou de Paris, ou da Tailândia, ou aqui pertinho do
trabalho mesmo, quem sabe. Porque o fato é que ando prestando-me de uma
sobriedade deleitável em meus dias. E como é bom dizer que tudo isso é muito
bom.
Aceito-me,
então. E reluto menos em fazer novos ou refazer velhos amigos, em romper com
aquilo que me é comum, em buscar o irreconhecível em mim e nos outros, tenho
pensado também em sentar mais no chão, em observar as nuvens e tentar tocá-las, em talvez
declarar-me a um novo amor, quem sabe, a uma nova vida, e topar de maneira
extremamente instável encontrar cruzando o meu caminho outro louco que assim como eu
queimou certas etapas e escolheu dar a cara a tapa, imergir em poeiras sem
trégua e sem volta, viajar o mundo, escrever poesias, fugir, aprender a tocar
flauta ou arranjar uma música, escalar o mais alto topo e aprender a matar formigas em Roma, quem sabe, para
desapegar-se, energizar-se e depois sentir-se, sobretudo, pois depois de um
tempo não haverá mais tempo de voltar atrás, de voltar no tempo, de ser você
mesmo, esse eu que você tanto busca no passado. Pois não haverá mais ele. Pois
já não há. E não há mais nada, também, além desse teu eu novo, esse aí em
frente ao espelho fazendo a barba pela manhã ou recolhendo rosas no jardim
florido ou revelando-se pleno embaixo da água escaldante do chuveiro enquanto a
fumaça à tua volta gera uma estranha sensação, muito embora boa, de ver-te
desfazendo-se ou diluindo-se e transformando-se em mínimas películas novas e
distantes desse outrora, um quase nada, pois é necessário arriscar-se nessa doçura amarga e
bela da sociedade incansável e de um presente inoperante, mas infalível, e seguir. Porque a
felicidade encontra-se também no fato do reconhecer-se no aqui, e no agora, não amanhã,
nessas indetermináveis e impalpáveis e insustentáveis peripécias do quase
sempre.
terça-feira, 12 de junho de 2012
Dia dos namorados
Ando
forçando-me a pitadas de vômitos de mim e das imersões poéticas de outrora. Mas
não servem-me, por hora, as minhas investidas. Até vêm-me ideias e alucinações,
vez em quando, ou vez em sempre, mas não prestam-me como eu queria prestar-me dessa
outra hora intocável para entregar-lhes uma ou duas palavrinhas de amor para
serem lidas no dia dos namorados ao pé do ouvido do seu namorado ou da
sua namorada, aquele que tu anda de mãos dadas quando vais ao campo, ou ao
clube, ou à praia, quem sabe, como se tocassem todas as nuanças do meu, ou do teu, ou do
nosso arranjo uterino.
Hoje
é o dia dos namorados, mas não para mim. Não mais, pois hoje não é dia de
flores, não é dia de dar ou de ganhar flores, não por agora. Mas não há
tristeza, também. Por incrível que pareça? Até poderia me perguntar, normal que fosse. Mas não,
não. Aqui, não. Natural, impreciso, tudo isso antes, mas não aqui intocável no
sofá de onde sequer arredo o pé até a varanda para embebedar-me com
um expresso e um cigarro, talvez, e onde tenho aproveitado para imergir-me um
pouco mais em mim, sabe, nesse outro eu que tenho percebido em reflexos na parede
vermelha do meu quarto vez em quando, alguém mais diferente de mim, desse mim dessa
outra hora, desse mim de outrora encantado que tanto procuro na versão alheia do amor.
Não
preciso de flores no dia dos namorados, não mais, não aqui, preciso é desse
tanto de mim. Desse tanto em mim. Acho que achei ontem à noite, sabe? Foi
estranho. Mas foi tão bonito, foi tão eu, precisava ver. Ando não conseguindo
entender também, ainda, o que anda acontecendo ou desacontecendo comigo quando
trago a fuligem que sobra do meu quase recomeço em mim. São raios de sol,
reflexos da dor, pitadinhas de paz, poeiras podres e recalques de sonhos
surgidos em meio às nuvens que peguei para chamar de minhas, tolo que sou. E não é porque hoje
é o dia dos namorados que me sentiria vazio. Ao contrário. Porque não é uma
ausência dessas que se proliferam por dias, e noites, e outros dias, tantos,
mas é como se um vazio temporário que não há ainda em mim, está de passagem,
que não está em mim porque também não cabe no lugar que reservei pra ele.
Porque
muito embora não exista em mim uma máquina fraudulenta que me impulsione à celebração, que
faça-me querer andar de mãos dadas, ou dormir de conchinha, ou comer pipoca no sofá, ou assistir aquelas séries banais da warner ou da universal tomando sorvetes importados, ou soltar balões, ou fazer
comidinhas para depois do amor, ou piqueniques no parque, quem sabe um jantar
num restaurante chique, de gente rica e sofisticada, ou um copo-sujo simplesmente para rir de
coisas cafonas e banais, ou não fazer nada, ou fazer tudo, mas fazer junto, sempre, existe uma
outra parte muito forte que não se cansa de me dizer que que por mais que
possam achar que eu me engane, ou que seja egoísta, ou que seja o meu ego gritando, sei lá, como é bom lançar-me e embrenhar-me nessa trilha por onde, a cada passo,
apaixono-me um pouco mais por mim mesmo, porque é bonito, porque é possível, e
porque eu posso fazer isso sozinho, sim, pelo menos por agora, pelo menos pra
sempre enquanto eu quiser, pelo menos nessa minha estranha versão do amor.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Ah, se eu soubesse...
E
quando eu comecei tudo isso de ser-me sem sentir-me, sem estar pleno, sem
vir-me até mim e tocar as minhas próprias mãos em frente ao espelho do
passado, ou os meus pés inchados do tanto andar ao incerto, muito, eu não imaginava que
poderia ser mais denso e intenso que antes, que quando eu caminhava a pé em Viena,
ou tomava café em Havana, ou jogava-me a quatro mãos de cima do skyline de Nova
York com os amigos de outrora, belos que eram, ah, se eu soubesse! ah, se eu
soubesse!, se eu soubesse que seria dessa forma ardida, difícil, sem substâncias
e inóspita, se eu soubesse que não teria fim, que a curva que me levaria a
Moscou tinha desmoronado, ou que o avião que me levaria até Paris não tinha decolado, ou que o trem iria descarrilhar-se antes que eu pudesse chegar perto da minha maior descoberta, eu, talvez tivesse optado, confesso, contudo, por não entregar-me como o fiz na última
vez em que nos vimos, ou na primeira, ou em todas elas, não lembro bem, acho
que foi no começo, no quase sempre, no quase nada, no quase amor em vão.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Porque é amor...
Por
que o amor
Quando
amor,
A
minha flor
A
nossa dor.
Por
que o amor
Quando
flor,
A
minha dor
O
nosso amor.
Por
que o amor
Quando
dor,
O
meu amor
A
tua flor.
Por
que o amor,
Por
que a flor,
Por
que a dor,
Depois
do amor?
Por
que o amor?
Por
que amor?
Por
que, amor?
Porque
é amor.
Assinar:
Postagens (Atom)





